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10
Out 11

 

 

LENDAS/BAIRRO DOS NOIVOS/TERESINA

 

A LENDA DOS NOIVOS

 

 

O BAIRRO DOS NOIVOS

 

POR QUE O BAIRRO DOS NOIVOS TEM ESSE NOME?!

 

Fomos até o bairro para conversamos com alguns moradores do local.

Lá chegando, entrevistei três pessoas do bairro.

Duas senhoras e um senhor por nome José Maria, ambos já avançados na idade e moradores antigos da região.

Segundo o senhor José Maria, o bairro tem esse nome por que lá existia uma fazenda por nome, “FAZENDA DOS NOIVOS”, de propriedade de “DONA MARIA DE ÁREA LEÃO PARENTE”.  E onde hoje é o bairro, existia uma estrada, ou uma vereda, como pode assim se dizer. Por que só trafegava animais e pedestres. Na época só existia uma igreja em Teresina. A igreja de São Benedito. E todos os noivos trafegavam por essa estrada para se casarem na igreja. Então a vereda passou a ser conhecida como: “ESTRADA DOS NOIVOS”.

 

 

MAS A HISTÓRIA VAI MAIS ALÉM!

 

Existe um fato ocorrido no século passado. Há mais de cem anos. Ou melhor, uma lenda pouco conhecida pelos teresinenses.

 

A LENDA:

 

Reza a lenda que no passado, um casal de jovens, filhos de pessoas bastante conhecida na região, resolveu unir-se em laço matrimonial. Casar-se! Mas que no dia do casamento ocorrera uma tragédia.  Após a cerimônia do casamento, o casal teria ido pegar sua montaria para se dirigirem à sua residência que ficava mais afastada. Mas ao montarem no cavalo foram atingidos por um raio, vindo a falecer os dois de forma fulminante. Desde então na data referida ao casamento, todos os meses, o casal reaparecia no local da tragédia. Todos os meses o casal vinha celebrar o romance amoroso que terminara de forma inesperada. Muitos viajantes que trafegavam pela região afirmavam terem visto o casal namorando no local. Sempre ao cair da noite. E na região foi construída uma fazenda que passou a se chamar: “FAZENDA DOS NOIVOS”. E ainda segundo d. Maria, ao redor da fazenda, existia uma grande lagoa, onde tinha grandes cobras sucuris. Ela afirma ainda que chegou a ver muitas vacas sendo levadas pelas cobras. Ela via as vacas boiando sobre as águas.

 

VOCÊ ACHA ESTRANHO? O senhor José Maria afirma que é do tempo em que homem virava lobisomem e mulher se transformava em porcas.

 

A GRANDE COBRA SUCURI

 

O bairro dos noivos sempre foi um bairro cheio de visagens! Na década de 60 para 70 ainda alcancei e toda Teresina presenciou momentos de angustias, vivido pelos moradores daquela região, o flagelo provocado por uma grande cobra sucuri com mais de dez metros de cumprimento. A cobra assustava muita gente. Havia relatos de pessoas desaparecidas, vítimas da cobra Em certo dia anunciaram que os bombeiros da Policia Militar iriam dinamitar a lagoa para matar a cobra. Foi notícia em toda a capital. Uma grande multidão de pessoas se deslocou para o local, mas devido ao grande numero de pessoas, os bombeiros desistiram da ação.

 

 

DAÍ ENTÃO O NOME: BAIRRO DOS NOIVOS

 

 

 

 

 

 

Por D`Gáudio Procópio                     

 

 

 

 

 

publicado por dgaudioprocopio o Poeta às 09:39

14
Ago 11

LENDAS/A MULHER DOS OLHOS DE FOGOFOTO: DGAUDIO - THE- PI - PESCADOR FRANCISVALDO

 

 

A LENDA DA MULHER DOS OLHOS DE FOGO

 

AS LENDAS ESTÃO DE VOLTA. O Bairro Poty Velho não perde a tradição e os costumes de manter vivas as lendas, e faz jus a fama de um bairro rico em folclores, lendas e histórias de pescadores. Recentemente fui abordado por uma jovem senhora de nome CÍNTIA. A mesma trabalha no comércio local; e ao saber que faço um trabalho sobre lendas, me informou que um novo EPISÓDIO (FENÔMENO) está ocorrendo naquele bairro. Trata-se de uma aparição FANTASMAGÓRICA: A MULHER DOS “OLHOS DE FOGO”. E como pesquisador de lendas que sou, fui ao local. Digo: direto à fonte. E no local onde se inicia as aparições da dita cuja, me informei com as pessoas que frequentam o local. E nada melhor do que conversar com quem entende do assunto: OS PESCADORES! Pessoas que moram e trabalham no local. E lá entrevistei o senhor. Francisvaldo.

 

 

 

Pergunta: — Senhor Francisvaldo, é verdade que ultimamente têm aparecido nesta região uma mulher com olhos de fogo?

 

Resposta: — É verdade sim. Temos um TAXISTA da região que pegou a mulher como passageira.

 

Pergunta: — E como se dá a abordagem? Digo: as aparições?

 

Resposta: — Ela aparece sempre nas cabeceiras da ponte. (aponte sobre o Rio Poty, que liga o bairro Poty Velho a Santa Maria da Codipi e região), quando não é no início é no final, logo que sai da ponte, próximo a curva, (na via que dá acesso aos bairros do outro lado da ponte).

Geralmente ela pede uma carona. Às vezes pega um taxi, ou até mesmo um mototáxi. Ela embarca nesses locais e quando chega à região da Santa Maria da Codipi, próximo a uma sepultura, ela (Obs.: ainda não se sabe se é uma sepultura isolada ou é próximo ao cemitério) pede para parar e desce. E ao descer pede para que a pessoa olhe para ela. E quando a pessoa a olha, ela esbugalha os olhos e os convertem em chamas. Transformando-os em fogo!  

 

Pergunta: — E o horário que ela aparece?

 

Resposta: — Geralmente, é depois da meia noite.

Pergunta: — E como são os trajes dela?

Resposta: — É uma mulher alta, loira magra e bonita. Toda vestida de branco.

 

AS PROVÁVEIS VÍTIMAS DA MULHER

 

V— 1 um taxista, que pegou a passageira.

V— 2 um ciclista que deu carona

v — 3 um senhor. Que atende pelo nome de Lisboa

V-—4 um moto taxista

V— 5 Cíntia que ouvia a história de outras vítimas

V — 6 E o pescador Francisvaldo. Que também ouviu a versão de outras vítimas.

 

“Ainda segundo os relatos, a vítima mais contundente foi o taxista, (ainda não identificado) que depois de deixar a mulher no local fugiu assustado e contou de modo eufórico.”. Quando deixei a mulher no local, fiquei esperando ela me pagar. Então ela disse: “olhe para mim” quando olhei ela arregalou os olhos e de repente eu vi duas tocha de fogo...” ...”não quis nem saber de dinheiro, larguei tudo e fui!”

 

ENTÃO? VOCÊ JÁ SE DEPAROU COM A MULHER DOS OLHOS DE FOGO?

Qualquer informação nos comunique. E-mail= dgaudioprocopio@hotmail.com / jozafaaraujo@bol.com.br /   tel.= 86 - 8813-2055

 

 

Por DGaudio Procopio

 

 

 

 

 

 

 

 

 

publicado por dgaudioprocopio o Poeta às 19:14

09
Ago 11

 

CONTOS/ A MENINA QUE NÃO SABIA BORDARFOTO: DGAUDIO -  VEJAM A OUSADIA E PERSPICÁCIA DE UMA JOVEM COM APENAS 14 ANOS. BASEADO EM UMA HISTÓRIA REAL

 

 

A MENINA QUE NÃO SABIA BORDAR

 

[Obs: Vejam a ousadia e perspicácia de uma jovem com apenas 14 anos. Baseado em uma história real]

 

 

Papai eu quero uma sandália!

—... ?

Papai! O senhor está me ouvindo?

—...?

É muito bonita a sandália. Vi em uma loja de calçados no centro.

—...?

O senhor sabe que já estou crescidinha. Já tenho 14 anos e preciso de um calçado. As minhas amigas todas têm um calçado bonito, só eu que não tenho. Tenho até vergonha de sair na rua. Estou cansada de ir para o colégio de japonesa.

—...?

— Pai! O senhor tá me ouvindo?

O pai estava ouvindo sim. Mas não conseguia falar. Não tinha forças e nem coragem, como explicar para filha que ele o pai, deveria e queria dar tudo para suas três filhas, mas não tinha condições.  Era um trabalhador assalariado e o que ganhava dava mal para o sustento da casa. Afinal ele era o pai e mãe daquelas três crianças. Cuja mãe o abandonara deixando-o com as crianças ainda pequenas para criar. O que ganhava como pedreiro era insuficiente; aquilo lhe atormentava! Tinha vontade de sumir! Desaparecer num buraco. Mas não podia afinal ele não era um monstro. Ou um pai desnaturado. Ele amava suas filhas e iria criá-las custasse o que custasse. Estava de costas para a filha, com os olhos marejando, não queria que ela percebesse que estava a chorar. Disfarçou um pouco a voz e respondeu com a voz um pouco embargada: minha filha eu não posso te dar. Você sabe que não tenho só você! Tem suas irmãs, e para comprar para uma, tenho que comprar para as outras.                                                                         — Tudo bem papai!      Eu entendo. Não se preocupe! Eu vou trabalhar então eu vou lhe ajudar. Ajudarei o senhor e minhas irmãs. Vou procurar emprego.     Ela tinha consciência da sua pouca idade, mas era determinada e não iria desistir do seu intento.

A noite foi dormir, mas não conseguia dormir direito. Sua cabecinha estava cheia de preocupações e sonhos. Sabia que não seria nada fácil. Mas não iria desistir. Ela sabia que tinha uma vizinha dona de uma lojinha próxima a sua residência; a manhã iria procurar emprego lá.      Bolou de um lado ao outro da cama por algumas horas até que foi vencida pelo sono.

— *** —

— Bom dia papai!

— Bom dia minha filha!

— Pai, eu vou procurar um trabalho hoje.

— Onde!

— Eu estou pensando em ir à lojinha da dona Rita. Quem sabe ela me arranja qualquer coisa, eu quero é trabalhar. Como de costume, o café já estava à mesa. Seu pai levantou cedo e o fez. Ela também fazia o café, mas naquele dia acordara atrasada, pois dormira um pouco tarde e talvez por remorsos o pai não a acordara.              — Pois vá minha filha! Qualquer coisa suas irmãs ajudarão no almoço.

 

Ela foi ao banheiro tomou seu banho, colocou sua melhor roupa, tomou seu café e saiu. Ia torcendo para que tudo desse certo e conseguisse o emprego. Caminhou um pouco e logo chegou à loja. Não era muito longe, dava para ir a pé.

 

— Bom dia dona Rita!

— Bom dia minha filha!

—...?

— Em que posso ajudá-la?

— Meu nome é Amália.

— Muito prazer!

—...?

— Eu quero trabalhar, a senhora teria um emprego pra mim?

— Você sabe bordar?

— Não senhora.

—...?

— Mas eu preciso trabalhar Dona Rita! Lá em casa só tem meu pai que trabalha, e ganha pouco, por que ele é autônomo. Trabalha como técnico de som e vive só de bicos. E eu tenho duas irmãs mais novas, minha mãe largou meu pai deixando nós ainda pequena, desde então meu pai tem se desdobrado para cuidar de nós. E eu quero comprar minhas coisas, entende? Como roupas, calçados, mas meu pai não pode me dá, o que ele ganha dar mal para nós comer: outro dia eu pedi para ele uma bolsa e uma sandália, e ele me respondeu que não podia dar, por que tinha três filhas, se desse para uma teria que dar para outras. A senhora tá me entendendo? Eu não sei bordar, mas se a senhora me ensinar eu aprendo. Eu sou inteligente e aprendo rápido.

Eu preciso trabalhar para não passar fome e não quero mendigar nem pegar no alheio.  Sou pobre, mas sou descente. Por favor, dona Rita, me dê uma chance de trabalhar garanto que a senhora não vai se arrepender. (enquanto ela falava seus olhos encheram de lágrimas e ficou com a voz embargada)

 

A Dona Rita comovida com a história da menina e com sua desenvoltura e ousadia dela. Ficou muito impressionada com sua situação.                            — Muito bem minha filha! Minha lojinha é pequena como você pode ver, não dá pra pagar muito, mas posso lhe pagar meio salário. Se você quiser pode começar agora.

— Quero sim! Respondeu a menina com os olhinhos brilhando de alegria.

— Pois entre aqui. Levou ela para uma sala ao lado, pegou uma cesta com algumas linhas, agulhas e uns pedaços de tecidos cortados de tamanhos iguais.

— Comece por estes, quando você tiver mais práticas irá bordar os vestidos e blusas.

 

Muito contente por ter conseguido seu primeiro emprego, ela acomodou-se na cadeira, pegou os materiais e começou ouvindo atentamente as instruções que dona Rita lhe dava. Seus olhos marejaram um pouco pela emoção; procurou disfarçar, mas Dona Rita percebeu. Fingiu que não tinha visto e começou a lhe ensinar.

—*** —

                        

A menina trabalhava na loja durante o dia e nos fins de semanas trabalhava num salão de beleza. Muito contente por ter conseguido esses dois trabalhos, se desdobrava para ajudar em casa na comida do seu pai e suas irmãs ainda pequenas, que também lhe ajudavam nas tarefas de casa. Passado 30 dias chegara o dia de receber seu primeiro salário. Muito contente e ansiosa aguardava o momento de pegar seu primeiro tostão; só então ela saberia qual a emoção de ganhar seu próprio dinheiro. Afinal trabalhara duramente arduamente todos os dias e queria ser recompensada pelo seu esforço. Era menina sofrida, daquelas que se tornam adulta antes do tempo.

 Chegou o dia do seu primeiro pagamento, muito contente recebeu seu dinheiro e muito contente guardou em sua bolsa. Não demorou muito e foi à loja onde vira a sandália que ela queria e comprou, aproveitando a oportunidade comprou também uma bolsa e algumas coisinhas para suas irmãs. Fez também umas compras para casa, tais como alimentos e gêneros de primeiras necessidades. Chegou a sua casa muito radiante foi logo abraçando suas irmãs e esperou seu pai chegar da rua. Quando ele chegou abraçou-o e com os olhos marejados mostrou a seu pai o que havia comprado e deu-lhe também um presente.

—***—

            Passado algum tempo, ela completou dezessete anos e entrou na casa dos dezoito. Já no último ano do ensino médio procurou um estágio. Matriculou-se numa empresa de intermediação entre empresas e estagiários.

— Bom dia!

— Bom dia!

— Eu vim cadastrar meu currículo.

— Pois não?

— Eu quero me candidatar à vaga de estágio.

— Você tem preferência?

— Não! Qualquer função me interessa.

— Pois bem! Preencha aqui esse formulário.

—...

Preencheu o formulário e entregou-o à recepcionista e ficou na expectativa.                                  —...                                                                                                 — Aguarde em casa que ligaremos para você quando surgir uma vaga.

Dias depois estava ela em casa quando recebeu um recado da vizinha:

— Amália tem uma ligação para você!

Muito ansiosa ela foi atender a ligação

— Alô!

—...

— Sou eu...

—...

— Certo.

—...

Desligou o telefone e com um ar de felicidade exclamou: arrumei um estágio em uma clínica médica.

***

Chegou o dia da entrevista e ela não perdeu tempo. Na hora marcada lá se encontrava.

Arrumou-se toda, colocou sua melhor roupa, pegou o ônibus e com o endereço em um pedaço de papel se pôs a caminho. Chegando a clinica e apresentou-se na recepção.

— Bom dia!

— Bom dia!

— Eu vim para uma entrevista de estágio.

— Muito bem, sente-se e aguarde um pouco.

—Muito obrigada.

Passado algum tempo veio uma funcionária da clinica e chamou as candidatas. Pediu para que elas subissem ao andar de cima onde seria efetuada a entrevista. A entrevista era feita individualmente, uma candidata por vez. Amália estava um pouco apreensiva, mas estava confiante. Logo chegaria sua vez de ser entrevistada. Ela estava distraída com seus pensamentos quando ouviu seu nome:

 

— Amália!

— Sim! Pois não?

—É sua vez, entre!

Amália adentrou na sala e lá dentro sentou-se em uma cadeira que lhe ofereceram. À sua frente estava uma mulher de aparência jovem e um senhor com jaleco branco e tinha um nome escrito na borda superior do bolso: Dr. Kleber.

— Bom dia!  — saudou Amália:

— Bom dia.

— Sente-se. Amália sim?

 — Exato!

— Bom dia Amália, eu sou Márcia, administradora da clínica e esse é o Dr. Kleber diretor de RH.

Após algumas perguntas de praxe sobre as pretensões do candidato o Dr. Kleber perguntou para Amália.

— Por que você quer trabalhar, quais as suas pretensões? Conte-me um pouco de você, faça um resumo de sua história de vida, fale-me de você.

— Bem Dr. Não tenho muito que contar, mas vou falar um pouco de minha vida. Lá em casa somos quatro pessoas, tenho duas irmãs mais novas, moramos com nosso pai, pois minha nos largou ainda pequenas. Ela abandonou meu pai para fugir com outro, deixando nós ainda criança. Desde então meu pai tem se desdobrado para cuidar de nós três. Agora o senhor imagina um homem com três crianças ainda bebês, para trabalhar e cuidar das crianças a vida não tem sido muito fácil para nós e à medida que nós íamos crescendo foi aumentando as nossas necessidades e as despesas da casa. E toda vez que eu pedia uma coisa para meu pai, uma roupa, um calçado ou uma bolsa que fosse nova, meu pai dizia que não poderia dar...

— Por quê?

— Ele alegava que tinha três filhas e se desse para uma teria que dar para as três. E com isso não dava para ninguém. Então resolvi procurar trabalho e quando eu tinha apenas 14 anos fui a uma vizinha minha que tinha uma lojinha de confecções e pedi trabalho a ela. Ela então perguntou se eu sabia bordar, por que ela trabalhava com bordados. Eu respondi que não, mas se ela me ensinasse eu aprenderia por que precisava de trabalho para ajudar meu pai e minhas irmãs. E ela comovida com minha história me arranjou o emprego. Aceitei e aprendi não só a bordar como outras coisas. E por esse mesmo motivo estou pedindo aos senhores. que me arranje esse estágio.

Márcia olhou para o doutor e percebeu que ele estava com os olhos marejados, mas não disse nada.

— Quando você terminar seus estudos, que área você pretende fazer na universidade?

— Eu pretendo fazer direito.

— Nós também vamos lhe dar uma chance. Você começa na segunda feira.

— Muito obrigado doutor!

***

Na segunda feira bem cedo lá estava ela pronta para trabalhar. Tinha uma preocupação, suas roupas eram poucas e ela iria trabalhar numa clínica chique, que atendia a elite da cidade. Mas tinha que ir em frente, pegou sua melhor roupa, uma calça jeans e uma blusa branca. Sabia que na clínica davam fardas, mas enquanto não recebesse a sua teria que usar as roupas pessoais, que não eram muitas. Duas calças e duas blusas. Vez por outra perguntava: “quando é que chegam as fardas?” Visto que a loja estava demorando na entrega. Percebia-se a sua aflição pela ausência das fardas. Até que finalmente chegaram as fardas. Seus olhos brilhavam de alegria, parecia que estava recebendo um presente. Estava contente com seu trabalho, apesar de ser apenas um estágio, mas aquilo lhe renovava as esperanças e lhe dava um novo ânimo para continuar sua jornada em busca do seu sonho. Afinal, ela estava trabalhando, e o trabalho dignificava sua personalidade. E assim, a menina que não sabia bordar obteve êxito em sua primeira conquista no mercado de trabalho.  Sua meta agora era a universidade.

 

 

DGáudio Procópio

 

 

Proibida a reprodução total ou parcial e cópias com fins lucrativos com ou  sema  identificação da autoria sem autorização do autor. Lei de direitos autorais (Lei 9.610 de fevereiro de 1998)

 

 

 

publicado por dgaudioprocopio o Poeta às 00:35

18
Jun 11

 

 TRAJANDO CAMISA AZUL= GERALDO DO VINIL E DE CMISA BRANCA LUIS BRHAMA

FOTO: DGAUDIO = THE 18/06-11

HISTORIAS/LENDAS/BAIRRO MAFUÁ

O BAIRRO MAFUÁ

 

 

Continuando nossa busca pelas histórias dos bairros de Teresina, fomos ao MAFUÁ em busca das origens deste nome. E lá chegando procuramos nos informar com os moradores antigos do bairro. E por indicação de um amigo nosso Marcelo Magalhães, encontramos a dupla: GERALDO DO VINIL E LUIS BRHAMA. E segundo o Senhor Geraldo do vinil, este nome proveio da construção ferroviária, quando na sua execução do trecho que passava por Teresina e onde hoje é conhecido como a ponte do MAFUÁ. Durante muito tempo perdurou uma ponte de concreto armado no estilo antigo. Mas durante a construção da ferrovia sobre aquele trecho (vão) havia uma pote de madeira por onde era feita a travessia. Ocorre que nesse período devido ao fluxo de pessoas no local, desenvolveu-se um comercio ambulante. Desde o cafezinho até aos gêneros de primeiras necessidades. E certa vez, um engenheiro da ferrovia ao transitar pelo local deparou-se com aquele conglomerado de pessoas, mesas e barracas e um movimento intenso de pessoas. Ainda segundo o Sr. Geraldo o engenheiro ficou impressionado com aquele movimento que falou em voz alta: “Isso aqui está parecendo um mafuá      (Tá o maior fuá”) mafuá significa amontoado de coisas velhas, trapos, desordem, bagunça, coisas colocadas aleatoriamente.

Daí o nome pegou! As pessoas passaram a chamar de Bairro do Mafuá. Diga-se de passagem, isso é coisa do passado. Hoje o bairro não tem nada de mafuá. Ele está muito bem organizado, e serve de referencias como um dos bairros antigos da capital.

 

 

 

 

 

 

 

Por:   DGáudio Procopio

 

Teresina, 18 de junho de 2011.

 

publicado por dgaudioprocopio o Poeta às 19:15

13
Jun 11

 

LENDAS/A LENDA DO PERÚ DOURADO/BAIRRO ITAPRÚ

O BAIRRO ITAPERÚ


E A LENDA DO PERÚ DOURADO*1

 

O BAIRRO ITAPERÚ ganhou esse nome devido a uma lenda que havia no local. Segundo ainda o Sr. Francisco esse nome adveio de uma pedra mística que havia no local. (NA DÉCADA DE 50 APROXIMADAMENTE) Segundo a lenda essa pedra misteriosa era encantada e possuía um encantamento. Pois ela tinha a aparência de um PERÚ e durante a noite a pedra se transformava em um perú dourado. Esse fato assustou e encantou muita gente naquela época. Não se sabe ao certo ainda, mas pressupomos que o nome viera da expressão “EITA PIRÚ” ou como se dizia no “CABOCLÊS” da época: “ITA PERÚ GRANDE” OU “ITA PERÚ!”. Ou provavelmente do TUPI,  já que pedra em TUPI é ITÁ ou ITÁ = PEDRA. Por tanto pedra perú é uma junção do tupi com o português que denominou-se o nome de ITAPERÚ.

 

***

 

— E aí cumbuca? Tu já viste o perú dourado?**

— Que perú coité?

— O perú dourado ora! Aquele que aparece sempre ali na volta do tucum.

— Eu não sabia que por lá tinha esse tal perú dourado.

— Como é, me conta vai.

— Lá tem uma pedra encantada que se parece com um perú, e anoite ela se transforma num perú dourado.

— Se é dourado então vamos pegar ele e vender. 

— É mas ele só aparece à noite, e a noite eu não vou. Tenho medo de assombração.

— Éita cabra frouxo!

— Frouxo eu! Tá todo mundo assustado com esse tal de perú dourado.

— Mas rapaz é só imaginação do povo. Eita povo pra verem coisas!

— Imaginação ou não, o fato é que muita gente já viu esse tal perú dourado.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

(**simulação de um diálogo entre os personagens deste conto ocorrido na   época dos fatos)      

 (1 conto do acervo particular de Dgáudio Procópio, com informações colhidas junto à moradores       antigos da área referida)

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

publicado por dgaudioprocopio o Poeta às 23:54

30
Abr 11

http://www.cec.pi.gov.br/noticia.php?id=141

Notícia

Porca do dente de ouro vive na memória de teresinenses
25/04/2011 12:43

 

Por José Marques de Souza Filho
Assessor de Comunicação do CEC
Tel 8865 3492/9968 3273

Escritor Josafá

Morador do bairro Buenos Aires, que fica na zona norte de Teresina, o mototaxista Josafá Araújo Procópio, que também é poeta e escritor, está registrando em livros e, até na internet, lendas tipicamente teresinenses, como a Porca do dente de ouro. “Quero resgatar nossa cultura e nossas tradições para preservar para a posteridade, para que nossos filhos e netos não percam nossos costumes antigos”, afirma Josafá.

Ele conta que a porca em si ninguém nunca se viu.  Mas, que, a cerca de vinte anos atrás, lá pelos anos 70, garante ele, existiram fatos verídicos que, até hoje, são relatados pelos moradores antigos do bairro. “Na época, existiam suspeitos: Eram mãe e filho, que moravam juntos. Diz-se que a mulher tinha os cotovelos relados e o filho tinha as presas, os dentes de ouro. Por isso, diziam que, de noite, ele virava lobisomem e ela virava a porca. Esse casal sumiu!”, garante ele.

Ele conta ainda que um dos casos mais conhecidos da aparição da porca aconteceu com uma conhecida dele. “Ela vinha da igreja quando viu um vulto escuro (Lá não tinha luz). Então, ela, com medo, jogou uma pedra, que bateu nas costas de uma mulher. Ela ouviu um gemido e percebeu que era um casal... Era assim o medo na época”, diz o poeta.

Josafá nasceu no município de São Domingo do Azeitão, no vizinho Estado do Maranhão, mas chegou a Teresina em 1970, quando, primeiramente, foi morador do bairro Vermelha, só depois é que foi morar no Buenos Aires.

25/04/11



publicado por dgaudioprocopio o Poeta às 00:59

25
Abr 11

 

FOLCLORE/A LENDA DA BAIXA DA ÉGUAFOTO: DGAUDIO

 

 

LENDAS/BAIXA DA ÉGUA/MANOEL MESSIAS

 

 

A LENDA DA BAIXA DA ÉGUA

 

FOTO: DGAUDIO

Sr MANOEL MESSIAS

 

 

 

Como surgem as lendas? Elas nunca têm um ponto exato de partida. Uma origem exata; elas são como boatos, fofocas, o famoso disse me disse. Em geral elas apresentam uma referência ligada a fatos, pessoas, acontecimentos e algo do gênero. Onde todos afirmam categoricamente que a sua versão é verdadeira e original. Em alguns casos têm seu início em um fato verídico; mas a partir do fato os detalhes passam de boca em boca e ao final os detalhes têm suas versões alteradas, o que terminam por caracterizar em mitos: e com o passar dos tempos os mitos tornam-se lendas. E como não poderia ser diferente. Temos aqui a lenda da BAIXA DA ÉGUA EM TERESINA. E para melhor nos informa-nos, fomos à fonte de onde se originou a lenda. E nessa oportunidade conversamos com um morador antigo da região onde ocorreram os fatos; o Sr. Manoel Messias.

 

...— Nas décadas de 40 e 50 quando Teresina ainda era uma “garotinha” e os meios de transporte era à base de carroça e lombo de animais.

 

Naquela época o meio de transporte mais utilizado era através de carroças e lombo de animais, como burros, jumentos e éguas. A égua era muito usada por ser um animal forte e com maior tração que os cavalos. Havia muitos carroceiros que habitavam as margens do rio Parnaíba, e a noite eles soltavam as éguas para pastarem na região.  Região essa que compreendia a beira do rio até a área onde hoje é o Colégio Zacarias de Góis, mas conhecido como LICEU PIAUIENSE eram uma grande quinta.   Mato! Era só mato.

E era conhecida como baixa da égua por ser uma região bastante  acidentada, com muitos altos e baixos, enormes pedras e muitos grotões. (Grota= buracos, enormes fendas no solo,) e durante o dia os tropeiros e viajantes que vinham do interior (zona rural de Teresina) deixavam seus animais nessa região. “De modo que aqui funcionava como um entreposto, como se fosse um ponto de TAXI, ou MOTOTAXI ou até mesmo o que hoje funciona na beira do rio onde tem os CARROS DE FRETES.” E aquelas pessoas (agricultores) vinham da zona rural vender seus produtos em Teresina, produtos tais como: arroz feijão, milho e demais derivados da lavoura. Enquanto eles deixavam seus animais aqui e iam ao centro, os meninos brincavam em cima dos animais.  Então quem queria contratar uma égua se deslocava para a baixa da égua.

E certa noite aconteceu que uma égua estando no cio e soltando o odor da fertilidade, por que quando o animal está no cio solta aquele odor e o macho sente o cheiro de longe. Então o cavalo empreendeu uma perseguição a referida égua. E na fuga desenfreada a égua  veio a cair em um dos muitos grotões que havia na região. E na queda a égua quebrou o pescoço. E lógico, quebrando o pescoço não tem como sobreviver. O que levara a morte da égua. E passado algumas horas depois da morte do animal os urubus começaram a sobrevoar o corpo. O que chamou atenção da população. E vendo aquele movimento de urubus as pessoas perguntavam: “O que foi aquilo? O que houve ali?”... “Foi uma égua que caiu numa grota e morreu” e que ficou caracterizado como “A BAIXA DA ÉGUA” e os moradores da região e transeuntes da época quando mandavam alguém na região ou marcavam um encontro na região usavam a expressão: “... Lá onde morreu a égua!” “Lá onde ficam as éguas”.

E contam ainda que o cavalo ficara impressionado com a morte da égua, tanto que todos os dias o cavalo ia à beira do barranco olhar a égua morta. “pois ficara apaixonado pela égua tanto que ia chorar pela égua todos os dias.

 

 

 

 

A LENDA DA NÃO SE PODE OU NUM SE PODE

 

 

 

Seguindo a mesma linha, temos ainda a lenda da não se pode. Não se pode era uma visagem que por muito tempo assustou os freqüentadores da vida noturna de Teresina. Em relatos dos moradores antigos e agora na versão do Sr. Manoel Messias morador antigo da região e corroborado pelo também historiador e jornalista José Marques, que além de jornalista é sambista e compositor; afirmam ambos que se tratava de uma mulher. Ou melhor, aparentemente uma mulher jovem e bonita que aparecia nas noitadas e transitava pelas ruas de Teresina. Afirmam ainda que ela passava a noite namorando com amantes da vida noturna que vagavam pelas ruas.

Constam histórias de homens que a levaram para uma noitada de amor e que após os momentos amorosos a dita cuja sumia na escuridão. E o indivíduo saia alucinado pelas ruas gritando.

Naquela época havia os famosos boêmios que saiam à noite a procura de diversão. Diga-se de passagem, freqüentavam os baixos meretrícios como eram conhecidos antigamente. Hoje não existe mais. Hoje esse cargo foi ocupado pelos famosos motéis de luxo. Era só anoitecer que a num se pode aparecia. Ela costumava ficar sempre debaixo dos postes de luz e próximo a zona de prostituição.

O detalhe é que nessa época não havia energia (luz elétrica) eram os famosos lampiões. Postes com um lampião dentro. E os operários tinham que acender entre 18h00min e 1900minh. e só apagavam no dia seguinte. E os “cabras” boêmios quando voltavam do brega que ficava na Rua Paissandu em altas horas da noite, se deparavam com aquela mulher bonita debaixo dos postes. E quando o cabra se aproximava e via aquilo se assustava.

 

– Que diabos é aquilo?! O que aquela mulher fazia àquela hora debaixo daquele poste? E para ser maior o susto a mulher dizia: 

—Ei boêmio! Me dar um cigarro ai! O boêmio muito bêbado lhe entregava o cigarro. Ela recebia o cigarro, o boêmio acendia e enquanto ela tragava o cigarro começava a subir... Subir... Subir...

O então saia em disparada correndo e gritando enquanto a mulher subia  dava risadas e bradava: – AQUI É NÃO SE PODE!

 

LENDAS/NUM SE PODE/BAIXA DA ÉGUA/ZÉ MARQUES

 

 

ZÉ MARQUES

 

FOTO: DGAUDIO

 

José Marques, jornalista e sambista colaborou comigo nessas informações preciosas para o resgate e conservação de nossas raízes, histórias e folclores do nosso Estado. E segundo suas palavras ele vem realizando um trabalho junto às escolas de sambas para a conservação e ativação dessas lendas. Ou seja: (manter viva as lendas) Ainda segundo ele afirma vem atuando junto à nova diretoria da LIESTE (Liga Independente das Escolas de Samba de Teresina) que fora eleita recentemente uma articulação no sentido de unir o samba carnavalesco e as lendas de Teresina. Lendas como a da não se pode, BAIXA DA ÉGUA, a porca do dente de ouro, cabeça de cuia e outras mais.

Questionado sobre seu trabalho Zé Marques respondeu que quer justificar dentro do carnaval essas lendas.

 “— De modo que podemos justificar e ratificar essas lendas dentro do carnaval. Até por que não podemos perder nossas tradições, ou seja: poderemos fundamentar com as escolas de samba de Teresina, melhorar a qualidade das escolas e também todas essas questões sociais e culturais colocadas dentro das escolas de samba.  

Perguntado também sobre a lenda da NÃO SE PODE, Zé Marques afirma que se tratava de uma mulher muito bonita que ficava junto aos postes onde continham os lampiões e assustavas as pessoas. E quando passava um homem ela pedia um cigarro e sumia na escuridão

 

 

 

O PASSEIO DO CABEÇA DE CUIA

 

A bem pouco tempo o cabeça de cuia resolveu dar um passeio por Teresina. Saiu do encontro das águas, por volta das zero hora. Meia noite. Pegou um taxi ali pelo Bairro Poty Velho, mais precisamente na Praça do Poty. O taxista tava meio sonolento, pois praça não estava boa e ele não tinha apurado quase nada.  Preocupado por que tinha uma prestação do taxi para pagar, ele tava pegando qualquer passageiro. Contanto que lhe pagasse a corrida tava tudo bem. E o taxista não observou bem o passageiro, visto que estava chovendo e passageiro tava com uma capa de chuva. E o passageiro entrou no taxi e disse:

— Me leva que eu quero conhecer Teresina. E o taxista perguntou:

— Qual é a rota?

— Me leva pelas principais avenidas.

E o taxista achou muito estranho aquele passageiro, mas não falou nada. Afinal ele tinha pegado um passageiro e o bom profissional não faz muitas perguntas. Apenas o básico tais como qual é a rota para onde você quer ir.

 Mas de repente ele começou a sentir um forte cheiro de peixe. Mas não disse nada. Deve ter pensado que se tratava de mais um pescador que passara a noite pescando. Então passageiro indicou para o taxista onde queria ir. Andou pela zona sul, leste, foi lá pelo jóquei clube, Dirceu Arcoverde, Parque Piauí foi até o mocambinho. Passou lá pela região da porca do dente de ouro, baixa da égua. Passou pelas churrascarias, pedia para parar, mas não descia. Quando foi lá pelas 03h00minh e 04h00min da madrugada disse:

— Agora me leva de volta para o lugar onde você me pegou. E quando chegou ao local de onde partira, pegou uma bolsa colocou a capa dentro e entregou para o taxista e pulou dentro d’água.  O taxista assustado exclamou: rapaz! É o cabeça de Cuia!

E esse foi o passeio do CABEÇA DE CUIA pela cidade de Teresina. Isso foi à bem poço tempo. E ele está preste a dar outro passeio, e desta vez ele virá montado na porca do dente de ouro.

 

 

publicado por dgaudioprocopio o Poeta às 02:14

16
Abr 11

 

FOLCLORE/A LENDA DA BAIXA DA ÉGUAFOTO: DGAUDIO

 

 

LENDAS/BAIXA DA ÉGUA/MANOEL MESSIAS

 

 

A LENDA DA BAIXA DA ÉGUA

 

FOTO: DGAUDIO

Sr MANOEL MESSIAS

 

 

 

Como surgem as lendas? Elas nunca têm um ponto exato de partida. Uma origem exata; elas são como boatos, fofocas, o famoso disse me disse. Em geral elas apresentam uma referência ligada a fatos, pessoas, acontecimentos e algo do gênero. Onde todos afirmam categoricamente que a sua versão é verdadeira e original. Em alguns casos têm seu início em um fato verídico; mas a partir do fato os detalhes passam de boca em boca e ao final os detalhes têm suas versões alteradas, o que terminam por caracterizar em mitos: e com o passar dos tempos os mitos tornam-se lendas. E como não poderia ser diferente. Temos aqui a lenda da BAIXA DA ÉGUA EM TERESINA. E para melhor nos informa-nos, fomos à fonte de onde se originou a lenda. E nessa oportunidade conversamos com um morador antigo da região onde ocorreram os fatos; o Sr. Manoel Messias.

 

...— Nas décadas de 40 e 50 quando Teresina ainda era uma “garotinha” e os meios de transporte era à base de carroça e lombo de animais.

 

Naquela época o meio de transporte mais utilizado era através de carroças e lombo de animais, como burros, jumentos e éguas. A égua era muito usada por ser um animal forte e com maior tração que os cavalos. Havia muitos carroceiros que habitavam as margens do rio Parnaíba, e a noite eles soltavam as éguas para pastarem na região.  Região essa que compreendia a beira do rio até a área onde hoje é o Colégio Zacarias de Góis, mas conhecido como LICEU PIAUIENSE eram uma grande quinta.   Mato! Era só mato.

E era conhecida como baixa da égua por ser uma região bastante  acidentada, com muitos altos e baixos, enormes pedras e muitos grotões. (Grota= buracos, enormes fendas no solo,) e durante o dia os tropeiros e viajantes que vinham do interior (zona rural de Teresina) deixavam seus animais nessa região. “De modo que aqui funcionava como um entreposto, como se fosse um ponto de TAXI, ou MOTOTAXI ou até mesmo o que hoje funciona na beira do rio onde tem os CARROS DE FRETES.” E aquelas pessoas (agricultores) vinham da zona rural vender seus produtos em Teresina, produtos tais como: arroz feijão, milho e demais derivados da lavoura. Enquanto eles deixavam seus animais aqui e iam ao centro, os meninos brincavam em cima dos animais.  Então quem queria contratar uma égua se deslocava para a baixa da égua.

E certa noite aconteceu que uma égua estando no cio e soltando o odor da fertilidade, por que quando o animal está no cio solta aquele odor e o macho sente o cheiro de longe. Então o cavalo empreendeu uma perseguição a referida égua. E na fuga desenfreada a égua  veio a cair em um dos muitos grotões que havia na região. E na queda a égua quebrou o pescoço. E lógico, quebrando o pescoço não tem como sobreviver. O que levara a morte da égua. E passado algumas horas depois da morte do animal os urubus começaram a sobrevoar o corpo. O que chamou atenção da população. E vendo aquele movimento de urubus as pessoas perguntavam: “O que foi aquilo? O que houve ali?”... “Foi uma égua que caiu numa grota e morreu” e que ficou caracterizado como “A BAIXA DA ÉGUA” e os moradores da região e transeuntes da época quando mandavam alguém na região ou marcavam um encontro na região usavam a expressão: “... Lá onde morreu a égua!” “Lá onde ficam as éguas”.

E contam ainda que o cavalo ficara impressionado com a morte da égua, tanto que todos os dias o cavalo ia à beira do barranco olhar a égua morta. “pois ficara apaixonado pela égua tanto que ia chorar pela égua todos os dias.

 

 

 

 

A LENDA DA NÃO SE PODE OU NUM SE PODE

 

 

 

Seguindo a mesma linha, temos ainda a lenda da não se pode. Não se pode era uma visagem que por muito tempo assustou os freqüentadores da vida noturna de Teresina. Em relatos dos moradores antigos e agora na versão do Sr. Manoel Messias morador antigo da região e corroborado pelo também historiador e jornalista José Marques, que além de jornalista é sambista e compositor; afirmam ambos que se tratava de uma mulher. Ou melhor, aparentemente uma mulher jovem e bonita que aparecia nas noitadas e transitava pelas ruas de Teresina. Afirmam ainda que ela passava a noite namorando com amantes da vida noturna que vagavam pelas ruas.

Constam histórias de homens que a levaram para uma noitada de amor e que após os momentos amorosos a dita cuja sumia na escuridão. E o indivíduo saia alucinado pelas ruas gritando.

Naquela época havia os famosos boêmios que saiam à noite a procura de diversão. Diga-se de passagem, freqüentavam os baixos meretrícios como eram conhecidos antigamente. Hoje não existe mais. Hoje esse cargo foi ocupado pelos famosos motéis de luxo. Era só anoitecer que a num se pode aparecia. Ela costumava ficar sempre debaixo dos postes de luz e próximo a zona de prostituição.

O detalhe é que nessa época não havia energia (luz elétrica) eram os famosos lampiões. Postes com um lampião dentro. E os operários tinham que acender entre 18h00min e 1900minh. e só apagavam no dia seguinte. E os “cabras” boêmios quando voltavam do brega que ficava na Rua Paissandu em altas horas da noite, se deparavam com aquela mulher bonita debaixo dos postes. E quando o cabra se aproximava e via aquilo se assustava.

 

– Que diabos é aquilo?! O que aquela mulher fazia àquela hora debaixo daquele poste? E para ser maior o susto a mulher dizia: 

—Ei boêmio! Me dar um cigarro ai! O boêmio muito bêbado lhe entregava o cigarro. Ela recebia o cigarro, o boêmio acendia e enquanto ela tragava o cigarro começava a subir... Subir... Subir...

O então saia em disparada correndo e gritando enquanto a mulher subia  dava risadas e bradava: – AQUI É NÃO SE PODE!

 

LENDAS/NUM SE PODE/BAIXA DA ÉGUA/ZÉ MARQUES

 

 

ZÉ MARQUES

 

FOTO: DGAUDIO

 

José Marques, jornalista e sambista colaborou comigo nessas informações preciosas para o resgate e conservação de nossas raízes, histórias e folclores do nosso Estado. E segundo suas palavras ele vem realizando um trabalho junto às escolas de sambas para a conservação e ativação dessas lendas. Ou seja: (manter viva as lendas) Ainda segundo ele afirma vem atuando junto à nova diretoria da LIESTE (Liga Independente das Escolas de Samba de Teresina) que fora eleita recentemente uma articulação no sentido de unir o samba carnavalesco e as lendas de Teresina. Lendas como a da não se pode, BAIXA DA ÉGUA, a porca do dente de ouro, cabeça de cuia e outras mais.

Questionado sobre seu trabalho Zé Marques respondeu que quer justificar dentro do carnaval essas lendas.

 “— De modo que podemos justificar e ratificar essas lendas dentro do carnaval. Até por que não podemos perder nossas tradições, ou seja: poderemos fundamentar com as escolas de samba de Teresina, melhorar a qualidade das escolas e também todas essas questões sociais e culturais colocadas dentro das escolas de samba.  

Perguntado também sobre a lenda da NÃO SE PODE, Zé Marques afirma que se tratava de uma mulher muito bonita que ficava junto aos postes onde continham os lampiões e assustavas as pessoas. E quando passava um homem ela pedia um cigarro e sumia na escuridão

 

 

 

O PASSEIO DO CABEÇA DE CUIA

 

A bem pouco tempo o cabeça de cuia resolveu dar um passeio por Teresina. Saiu do encontro das águas, por volta das zero hora. Meia noite. Pegou um taxi ali pelo Bairro Poty Velho, mais precisamente na Praça do Poty. O taxista tava meio sonolento, pois praça não estava boa e ele não tinha apurado quase nada.  Preocupado por que tinha uma prestação do taxi para pagar, ele tava pegando qualquer passageiro. Contanto que lhe pagasse a corrida tava tudo bem. E o taxista não observou bem o passageiro, visto que estava chovendo e passageiro tava com uma capa de chuva. E o passageiro entrou no taxi e disse:

— Me leva que eu quero conhecer Teresina. E o taxista perguntou:

— Qual é a rota?

— Me leva pelas principais avenidas.

E o taxista achou muito estranho aquele passageiro, mas não falou nada. Afinal ele tinha pegado um passageiro e o bom profissional não faz muitas perguntas. Apenas o básico tais como qual é a rota para onde você quer ir.

 Mas de repente ele começou a sentir um forte cheiro de peixe. Mas não disse nada. Deve ter pensado que se tratava de mais um pescador que passara a noite pescando. Então passageiro indicou para o taxista onde queria ir. Andou pela zona sul, leste, foi lá pelo jóquei clube, Dirceu Arcoverde, Parque Piauí foi até o mocambinho. Passou lá pela região da porca do dente de ouro, baixa da égua. Passou pelas churrascarias, pedia para parar, mas não descia. Quando foi lá pelas 03h00minh e 04h00min da madrugada disse:

— Agora me leva de volta para o lugar onde você me pegou. E quando chegou ao local de onde partira, pegou uma bolsa colocou a capa dentro e entregou para o taxista e pulou dentro d’água.  O taxista assustado exclamou: rapaz! É o cabeça de Cuia!

E esse foi o passeio do CABEÇA DE CUIA pela cidade de Teresina. Isso foi à bem poço tempo. E ele está preste a dar outro passeio, e desta vez ele virá montado na porca do dente de ouro.

 

LENDAS/NUM SE PODE/BAIXA DA ÉGUA/ZÉ MARQUES
publicado por dgaudioprocopio o Poeta às 22:25

18
Mar 11

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

FOTO: DGAUDIO

 

 

 

 

 

 

A PORCA DO DENTE DE OURO NO BAIRRO BUENMOS AIRES

 

 

 

COMO SURGEM AS LENDAS

 

Como surgem as lendas? Elas nunca têm um ponto exato de partida, uma origem exata: elas são como boatos, fofocas, o famoso “disse me disse”; “alguém falou”; “alguém me contou”. Em geral, elas apresentam uma referência ligada a fatos, pessoas, acontecimentos ou algo do gênero, onde todos afirmam categoricamente que a sua versão é verdadeira e original. Em alguns casos, têm seu início em um fato verídico; mas, a partir do fato, os detalhes passam a ser distorcidos através da famosa rádio “boca a boca” e, ao final, os detalhes têm suas versões alteradas, o que terminam por caracterizarem-se em mitos. Como passar dos tempos, os mitos tornam-se lendas. E como não poderia ser diferente, temos aqui a lenda da PORCA DO DENTE DE OURO.

A narrativa a seguir será baseada e formulada em fatos e situações vivenciados pelo autor e pelos moradores do Bairro Buenos Aires, na década de 70, em um diálogo simulado com os personagens deste conto, com algumas situações e fatos fictícios.

***

 

A PORCA DO DENTE DE OURO NO BAIRRO BUENOS AIRES

 

A PORCA

Nos olhos tinha fogo e fogo tinha nos olhos. O barulho de uma manada e a quebradeira de um estouro. Estouro de uma porcalhada com mais de mil barrões. Fedia a barrão, e a barrão, fedia muito! E o fedor? Ninguém aguentava! Suas grandes presas eram de ouro, e de ouro eram as presas. Brilhavam sob a luz e os raios da lua. Dizia o povo nas ruas que ela comia criancinhas.

 

 

 

***

A LENDA

 

História ou lenda, mito ou verdade, o fato é que tínhamos até os suspeitos de serem a suposta porca e o lobisomem. E os suspeitos era um casal formado por mãe e filho. Para onde esse casal se mudava, a porca também ia. Onde eles estavam, a porca sempre aparecia. A danada era grande e cabeluda, afirmavam as pessoas.

Porca essa que a muitos assustava, ora correndo, ora fuçando nos monturos da cidade.

Certa vez, Dona Tereza e suas filhas passavam de noite por um caminho e viram a dita cuja: uma porca grande e preta, a interromper a passagem delas. Ambas tiveram que seguir por outro caminho.

Dizia Dona Tereza, que a bicha era grande, do tamanho de um jumento, e muito cabeluda. Tão grande era a porca, que nesse dia, ou melhor, nessa noite, ela e suas filhas passaram uma semana acamadas, tamanho fora o susto.

 

***

 

 Surgiram, na época, muitas histórias, relatos e testemunhas que afirmavam de pés juntos terem visto a porca. Contavam até do sumiço de filhotes de porcas (leitões.) e que, segundo afirmavam as pessoas, era um dos alimentos preferidos da porca. Outra testemunha afirmava ter visto a porca comendo porquinhos.

Tamanho era o medo das pessoas, ao ponto de relatarem até o sumiço de bebês e de casas invadidas pela porca. Naquela época, havia muitas casas cobertas com palha de babaçu e as portas eram feitas em estiras, com a palha de coco.

 

***

 

A porca pode ser lenda, os relatos podem ser fictícios,  mas o medo das pessoas era real, na época, e estampado na face delas. E este relato é verídico, pois quem o escreve, vivenciou, na época, embora a porca nunca tenha sido, de fato, vista ou fotografada.

E aí, você viu a porca do dente de ouro?

 

***

 

Bem pessoal, mas isso é lenda! E lenda é mito. O fato é, que por muito tempo, essa história assustou muita gente.

 

***

O ALVOROÇO

 

— Cuidado com a porca! – Gritou Cumbuca.

De repente ouviu-se um alvoroço:

— Pega a porca!

— Cuidado com a porca!

— Ela está aqui!

— Não! Correu pra lá!

— Traz a corda!

— Ei, Cumbuca, tá vendo a porca?

— Não! Acho que ela sumiu no meio do mato.

 

Assim era a vida dos moradores do Bairro Buenos Aires e comunidades circunvizinhas. Todos viviam assustados, apavorados com a história da porca do dente de ouro. Ninguém mais tinha sossego, pois sair à noite era uma aventura arriscada e perigosa. Quando não era a porca, era o lobisomem.

 

***

 

 

 

 

O BAR DO SILAS

 

 O bar do Silas era o mais frequentado da região, pois ele ficava em uma localização bem estratégica, todos tinham que passar em frente ao recinto, sempre que se deslocavam aos seus destinos e localidades próximas.

Entre os frequentadores do bar, estavam os três fofoqueiros da região: Cabaça, Cumbuca e Coité. E, como todos sabem, barbearia, salão de beleza e bares, são os lugares preferidos para os fofoqueiros; nesses lugares fala-se de tudo: o galo da vizinha, a vida do padre, o padeiro e até do papagaio ao lado. Neste dia, tinha uma turma boa de pés inchados, bebendo e jogando porrinha.

O bar funcionava anexo a uma mercearia que pertencia ao Santos, irmão do Silas; e tinha um entra sai de pessoas que iam comprar alguma coisa, ou mesmo só para saber das novidades, até por que o bar ficava próximo a uma parada de ônibus: a única da região, para ser mais exato.

 

***

 

Um bêbado, com cara de assustado e meio barbudo, resolveu quebrar o silêncio:

— Vocês souberam de ontem à noite?

— Fala da porca? (perguntou outro)

— É, quase que a gente pega a bicha.

— Mas ela é muito grande, do tamanho de um jumento.

— E tem as presas enormes. (falou outro)

— Meu irmão, e o ronco da danada? Até parece o esturro de um leão!

— Meu amigo, é uma catinga miserável! Um fedor de barrão.

— Dizem que ela come criancinhas, sabe?... Recém-nascidos

— Outro dia eu fui ali, no matagal... Ali, na igreja verde, na baixada...

— E o que tu foi fazer lá, Pronxinha? (interrompeu Coité)

— Aposto como não estava só!

— Pois é, fui lá com uma dona... Uma gata! Mas quando eu estava me animando, ouvi uma quebradeira no cipozal e um fedor de barrão! Meu amigo! Não contei história, piquei a mula! Saí na carreira sem olhar para trás.

— E a gata? (perguntaram)

— Sei lá! Eu queria era fugir da porca.

 Todos caíram na gargalhada.

— Cabra, frouxo!

— Frouxo, é?

— Eu queria ver se fosse um de vocês. Parece que vinham mil porcos juntos com a danada, tamanho era o barulho!

Cumbuca resolveu entrar na conversa.

— Ei, pessoal! Cá entre nós... Está todo mundo desconfiando daqueles dois...

— Qual? (Perguntou o Cabaça)

— Aquele casal que se mudou pra cá faz pouco tempo.

—...?

— Aquele que mora com mãe.

— Ah! Entendi.

— Pois é, dizem que é amigado com a mãe, entende?... Amancebado!

— Vocês já reparam? A velha tem duas presas de ouro.

— Sabe que é mesmo?

— E vocês já perceberam que ela tem os cotovelos todos feridos?

— Dizem que é porque quando ela vira porca, usa os cotovelos para andar com eles apoiados no chão.

— Pois é, esse casal já morou no alto do bode, na primavera, e na cajaíba. Toda vez que eles mudam de lugar, a porca muda também.

— Pois não é mesmo, rapaz! E o danado é que aonde eles vão, a porca aparece.

— E o lobisomem também.

— E tem mais, dizem que o marido dela a largou, com ciúme do próprio filho.

— Então ele deve ser o lobisomem que anda com a porca!

— Porque o cabra que se deita com a mãe, vira lobisomem.

— Ê! Sei não! Mas essa história está muito mal contada! (falou o Cumbuca)

— Um dia, vinha eu e minha mãe da igreja, lá pelas dez da noite. E, quando chegamos naquele trecho da Avenida União, onde não tem luz, totalmente escuro, de repente, uma mulher nos acompanhou, e, com um jeito ofegante e assustada, se aproximou de nós e falou:

— Me deixem acompanhar vocês, porque eu tenho medo de ir sozinha! Imaginem que outro dia eu vinha do trabalho, nesse mesmo horário, e quando cheguei naquele morro, onde é totalmente escuro, eu vi um vulto escuro. Aquela coisa preta e enorme; peguei uma pedra e joguei. Ri, ri! Mulher! Eu ouvi foi o grito: era um casal de namorados! Acertei com a pedra neles.

— O fato é que anda todo mundo com os nervos à flor da pele. Todos andam assustados com essa história da porca do dente de ouro.

— O medo é tanto, que outro dia, uma turma de umas trezentas pessoas acuou a porca no cemitério.

— E aí, pegaram?

— Que nada!

— A bicha é lisa como um sabão!

 

— E como foi, Cumbuca? Conta pra nós como foi lá...

 

***

— Cumbuca!

— Oi, Coité.

— Tu tá levando as cordas?

— Estou, e acho que o Cabaça está levando uma rede.

— Estou sim.

— Vamos lá, pessoal! Hoje a danada não escapa!

Tinha cerca de umas 300 pessoas para pegarem a porca. Na verdade, corria um boato de que a mula sem cabeça também estaria por lá, pois havia relatos de moradores do local, que durante a noite, era uma quebradeira, relinchadeira e uns guinchos muitos estranhos, misturados com um tal de roncar e fuçar de porcos.

— Ei, Tonico!  Tu fica lá do outro lado com os outros, e eu vou ficar deste lado.

E assim ficaram de tocaia. Espalharam-se na escuridão por detrás dos túmulos. Quando, de repente, alguém falou meio abafado: lá vem a bicha. Prepararam-se e deixaram-na se aproximar; resolveram então fechar o cerco.  Lá vem a porca fuçando e guinchando. A turma se alvoroçou toda e passaram a mensagem para os outros:

— está chegando, pessoal!

— Vamos fechar o cerco.

— Hoje nós pegaremos a danada!

De repente, a bichona apareceu na escuridão por detrás dos túmulos. Foi aquela correria toda.

Viram aquele vulto enorme saindo mata afora (porque havia muito mato na época)

— Pega a porca!

— Lá vai ela! (gritou alguém dentro do mato)

— Segurem a porca!

Alguém gritou na escuridão. Foi gente correndo e gritando, gente caindo e tropeçando na escuridão.

— Pega!  Pega!

— Não deixa a porca escapar!

— Pega! Pega!

— Lá vai ela! Segurem a porca!

E naquela correria toda, saiu a multidão em disparada, correndo e gritando, gente caindo ao chão, ferindo-se nos tocos, pontas de paus. Uns tropeçando nos outros. Gente caindo, gente gritando.

— Pega, pega!

Tangeram a porca em direção à saída do cemitério. Foi então que chegaram a um lugar iluminado pela luz do luar e perceberam então o engano. Qual não foi a surpresa ao descobrirem que era uma porca comum.

O Sr. Francisco, morador do Bairro Alto do bode, relata que seu filho, certa vez, fora ao mato para fazer uma necessidade fisiológica (naquela época não havia banheiro em sua residência) e, quando o menino se preparava para tal, vira aquela porca grande, vindo em sua direção. Assustado, ele saiu correndo e gritando:

— É a porca do dente de ouro!

 

 

 

 

 

 

 

 

 

DGáudio Procópio

publicado por dgaudioprocopio o Poeta às 03:28

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